Rethink Scholarship at Langara 2010 Call for Entries from Rory O'Sullivan on Vimeo.
veio daqui
E neste anúncio do carga de trabalhos lá estava, no final:
“Os interessados deverão enviar
- Curriculum Vitae e protefólio (obrigatórios);”
Na 2ª pessoa do plural
procrastinais
procrastinastes
procrastináveis
procrastináreis
procrastinareis
procrastinaríeis
procrastineis
procrastinásseis
procrastinardes
procrastinardes
procrastinai!
procrastinando
procrastinado
(Presente do Indicativo, Pretérito Perfeito do Indicativo, Pretérito Imperfeito do Indicativo, Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo, Futuro do indicativo, Condicional, Presente do C0njuntivo, Imperfeito do Conjuntivo, Futuro do Conjuntivo, Infinitivo Pessoal, Imperativo, Gerúndio, Particípio Passado)
Os ingleses (esses que deviam mas era go to the whore who gave them birth) procrastinaram a parte de dotar a língua de complexidade, e ficaram-se por:
procrastinate, procrastinated, procrastinating
MEC, no Público de hoje
“Como meio-inglês, há coisas que me irritam. Sendo sempre adepto da Apple e dos Macs, agoniza-me quando os portugueses pronunciam "éple" ou (os que têm a mania) "eiple". Quando me dizem que desprezam os que dizem "éple" porque sabem que é "eiple", a minha única reacção é sugerir que se casem, porque foram feitos uns para os outros, comungando da mesma ignorância.
"Apple" diz-se como "sável" e "Mac" não se diz como o meu acrónimo, MEC, mas "maque". Quantas vezes, ao telefone, ao falar do meu maque da ápal, não fui entendido? Todas. Corrigiam-me logo: "Ah, tem um meque, da épal." Ou, tratando-se de pessoal erudito ou do Norte, "um meique da eiple".
Bem sei que estes embirranços são sinais do avanço de idade e que a intolerância fonética é um atentado à linguística. Mesmo assim, tenho pena que os portugueses - tão ansiosos de pronunciar bem - digam "épi" em vez de "happy" e "da" em vez de "the", só porque não se dão ao pequeno trabalho de aspirar o H e de sibilar à cobra, de língua colada aos dentes, o "thhhhuh". O meu teste, para as crianças que queiram aprender como se pronuncia o inglês de Inglaterra, começa com a distinção da tia, Aunt ("Aumhnt") e da formiga Ant ("Ánte") e da dança Dance ("Dáhne-se") do adjectivo para a densidade, dense ("Dên-se"). O á e o agá são abertos e aspirados, se fizerem favor. Os ás são ás e os és são és. Não é assim tão difícil, já que é igualzinho em português. Imagine-se dizer, em vez de "água", "égua" ou "eigua" e fica tudo explicado.”
Em Os Cus de Judas
“Esperavas-me, Sofia, e nunca houve entre nós quaisquer palavras, porque tu entendias a minha angústia de homem, a minha angústia carregada de ódio de homem só, a indignação que a minha cobardia provocava em mim, a minha submissa aceitação da violência e da guerra que os senhores de Lisboa me impuseram, entendias as minhas desesperadas carícias e a ternura medrosa que te dava, e os teus braços desciam-me lentamente ao longo das costas, sem zanga nem sarcasmo, subiam e desciam lentamente ao longo do suor gelado dos meus flancos, apertavam-me devagar a cabeça contra o teu ombro redondo, e eu tinha a certeza, Sofia, que sorrias no escuro o calado e misterioso riso das mulheres quando os homens se tornam de súbito meninos e se lhes entregam como filhos desprotegidos e frágeis, exaustos de lutarem dentro de si mesmos contra o que de si mesmos os revolta.”